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A água que você descarta pode ser o segredo do seu jardim saudável

O ar-condicionado, equipamento já comum nas residências e apartamentos brasileiros, tem papel essencial para garantir conforto térmico, principalmente durante os verões quentes e úmidos de grande parte do Brasil, mas também é útil em regiões mais frias no inverno. Além de refrescar ou aquecer ambientes fechados, o aparelho produz água durante seu funcionamento, um detalhe que muitas vezes passa despercebido. Esse líquido, normalmente descartado, desperta interesse pelo seu potencial para reaproveitamento em tarefas domésticas, inclusive no cuidado com jardins urbanos e hortas caseiras, práticas cada vez mais populares em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Brasília e Manaus.

O funcionamento do aparelho é relativamente simples: ele retira o ar quente e úmido, bastante característico do nosso clima tropical e subtropical, faz a condensação desse ar e, em seguida, libera a água por um tubo direcionado à unidade externa. O líquido recolhido em baldes ou recipientes é resultado desse processo e corresponde à chamada água destilada, apresentando baixíssima quantidade de minerais, bem diferente da água normalmente captada em rios e reservatórios brasileiros, que tende a ser mais mineralizada.

Para quais tipos de plantas é recomendado o uso dessa água?

Nem todas as espécies vegetais encontradas nos lares brasileiros podem se beneficiar da água resultante do ar-condicionado. Recomenda-se o uso principalmente em plantas que, por sua origem ou característica, preferem solos mais ácidos ou pobres em nutrientes. Entre elas, destacam-se as plantas acidófilas, como azaleias, rododendros, camelias e gardenias, mas também os cactos e suculentas, bastante populares nos jardins urbanos brasileiros por resistirem bem ao calor e à seca. Espécies nativas da flora brasileira, como algumas bromélias, também se adaptam facilmente à irrigação com esse tipo de água, pela sua tolerância à acidez e baixa mineralização.

O pH mais baixo da água proveniente desses aparelhos, aliado à ausência de impurezas típicas das grandes cidades brasileiras, pode favorecer o desenvolvimento desses vegetais. Por outro lado, espécies como samambaias nativas, jabuticabeiras em vasos, costela-de-adão, palmeiras, e frutíferas tropicais (pitanga, acerola, goiaba), que apreciam solos férteis e ricos, devem receber também água enriquecida com nutrientes, ou a irrigação tradicional, adequada às suas necessidades específicas de desenvolvimento.

A água que você descarta pode ser o segredo do seu jardim saudável
planta com regador – Créditos: depositphotos.com / VadimVasenin

Quais benefícios a água do ar-condicionado pode oferecer no cultivo de plantas?

O principal benefício desse tipo de água é sua baixa concentração de minerais e impurezas. Como resultado da condensação do vapor gerado no ar-condicionado, o líquido se assemelha à água destilada, sendo ideal para espécies que não toleram o acúmulo de sais no solo, uma preocupação nas regiões brasileiras onde a água potável pode conter traços de salinidade. Entre as vantagens mais notáveis observadas por jardineiros urbanos e rurais, destacam-se:

  • Redução de impurezas: A água gerada no ar-condicionado contém menos resíduos industriais ou de cloro, comuns nos sistemas de abastecimento das cidades grandes.
  • Evita acúmulo de sais: É ideal para plantas sensíveis, incluindo certas espécies da Mata Atlântica e Cerrado cultivadas em jardins residenciais.
  • Potencial para minimizar doenças: Devido à sua origem controlada, apresenta menor risco de carregar patógenos, desde que seja coletada e armazenada de forma higiênica.

Espécies tropicais como orquídeas brasileiras, popularmente cultivadas em apartamentos e jardins, e alguns tipos de samambaias nativas também podem se adaptar ao uso periódico dessa água, especialmente nas cidades onde a água encanada pode conter excesso de cloro. Contudo, é importante lembrar que essas plantas ainda necessitam de nutrientes, obtidos via adubação ou alternando os métodos de irrigação.

Como utilizar a água do ar-condicionado de modo seguro?

Antes de regar qualquer planta com a água retirada do ar-condicionado, é importante seguir alguns cuidados para garantir a saúde do jardim doméstico. O primeiro passo é armazenar o líquido em um recipiente limpo, evitando contaminação. Recomenda-se não deixar a água parada por muitos dias, para prevenir o desenvolvimento de micro-organismos que possam comprometer as plantas.

  1. Verifique se o recipiente de coleta está limpo e livre de resíduos ou restos de poeira das cidades brasileiras.
  2. Utilize a água preferencialmente no mesmo dia em que foi coletada.
  3. Aplique em plantas tropicais, nativas ou exóticas que toleram solos ácidos ou pobres em minerais.
  4. Intercale com outras formas de irrigação, principalmente em espécies que necessitam de nutrientes específicos para climas quentes ou secos.
  5. Monitore o aspecto das folhas e do crescimento das plantas e suspenda o uso caso perceba alterações negativas.

Além disso, nunca utilize apenas esse tipo de água por longos períodos, já que ela não supre todas as necessidades nutricionais da maioria das espécies comuns no Brasil. Alternar com adubação orgânica ou umedecer as plantas com outro tipo de água, como a da chuva, é uma prática sustentável e recomendada por agrônomos e paisagistas nacionais.

A água que você descarta pode ser o segredo do seu jardim saudável
ar condicionado aproximado – Créditos: depositphotos.com / VadimVasenin

O que deve ser considerado antes de adotar essa prática no dia a dia?

O aproveitamento da água do ar-condicionado para regar plantas representa uma solução econômica e sustentável, especialmente pertinente diante dos desafios de abastecimento enfrentados em algumas regiões brasileiras e dos princípios de reutilização da água. Porém, é fundamental entender as exigências de cada planta, respeitando a diversidade e riqueza da flora nativa, como bromélias, ipês, jabuticabeiras, pau-brasil, pitangueiras e tantas outras que embelezam lares e ruas do país, bem como manter sempre limpos os sistemas de coleta. Utilizada da forma correta, essa prática pode contribuir para um consumo mais consciente e beneficiar espécies adaptadas aos nossos solos ácidos ou naturalmente pobres em minerais, encontrados em biomas como Cerrado e Caatinga.

Como informação adicional, especialmente em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Belém, onde o clima quente e úmido demanda maior uso do ar-condicionado, muitos moradores já incorporam essa técnica como parte da rotina sustentável, auxiliando na irrigação de jardins, hortas urbanas e pequenos vasos de plantas nativas e exóticas. Essa tendência está em crescimento em todo o Brasil, tanto em zonas residenciais quanto em escritórios, escolas e áreas coletivas, alinhando-se a movimentos internacionais voltados para o reaproveitamento inteligente dos recursos naturais.

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plantas aproximadas – Créditos: depositphotos.com / Sonyachny
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